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Agronegócios Reforma

Reforma agrícola na China pode influenciar o agronegócio brasileiro

Reforma agrícola na China pode influenciar o agronegócio brasileiro

15/06/2020 15h27 Atualizada há 4 meses
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Por: Vanessa
Reforma agrícola na China pode influenciar o agronegócio brasileiro

A China iniciou 2020 com retração de 6,8% no PIB e após sair da fase aguda provocada pela pandemia da Covid-19, inicia uma profunda reforma agrícola, com investimentos em políticas públicas que priorizem o desenvolvimento agrícola nacional. O intuito é reduzir a vulnerabilidade externa do país asiático por alimentos básicos.

A China quer aumentar a segurança alimentar, diversificando seus canais de importação e suas estratégias de aquisição. Entre as estratégias, quatro delas prometem mudar a rota das importações chinesas e devem servir de alerta para o mercado brasileiro de commodities.

Os dados são do mais recente estudo da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) da Embrapa: “China pós- Covid- 19: um alerta ao agronegócio brasileiro”. 

Com o objetivo de mitigar possíveis interrupções de fornecimento de alimentos, o governo chinês quer:

-  Acelerar o ritmo da diversificação geográfica em relação à sua capacidade de fabricação e processamento de alimentos, evitando assim futuras interrupções de produção interna;

- Retomar o megaprojeto de desenvolvimento da infraestrutura que liga 70 países da Ásia, Europa e África, com o objetivo de promover o comércio com países e regiões ao longo das rotas dessa iniciativa, que incluem fornecedores importantes de grãos. O plano é popularmente conhecido como a “nova rota da seda chinesa”;

- Adotar medidas que resultem na diminuição de riscos de interrupções das remessas recebidas do exterior em decorrência da logística dos portos exportadores, como no caso do Brasil;

- Investir em uma profunda reforma do setor agrícola, acelerando seu processo de modernização. Além do suporte à agricultura familiar, o país busca agora acelerar a execução do plano de longo prazo para modernizar a agricultura por meio de várias mudanças com foco na inovação.

Maior mercado

Mesmo diante de um cenário que busca reduzir a dependência internacional por alimentos, a China ainda continuará sendo, nos próximos anos, o maior mercado de destino das exportações mundiais, entre elas as de grãos – como as commodities de soja e milho-, e de proteínas, especialmente carnes suína e bovina. Em 2025, a China deverá ter uma população de 1,438 bilhão, concentrada principalmente na área urbana (65,4%) e não terá condições de suprir o mercado interno de alimentos.

Outros fatores agravantes que levaram a China a adotar medidas voltadas para o seu desenvolvimento nacional, entre elas o retrocesso da produção agrícola em algumas regiões do país asiático devido à poluição ambiental e restrições de uso da terra, bem como o surto da Peste Suína Asiática (PSA), que tem provocado o declínio econômico de milhares de pequenos produtores.

Logística

De acordo com a Embrapa, as medidas adotadas pelo governo chinês sinalizam que o país se prepara para os riscos de a pandemia mundial dificultar, e até mesmo reduzir, o escoamento da produção dos países exportadores, em especial, Argentina, Brasil e Estados Unidos. O Brasil envia a maior parte da soja, milho e algodão pelo porto de Santos.

A logística dos portos brasileiros é vista como um elo fraco da cadeia de suprimentos que canaliza as exportações de grãos, carne, açúcar e outros produtos agrícolas do país para o resto do mundo. O risco de interrupção das remessas ao exterior devido a problemas de isolamento social e logísticos de transportes e armazenamento nos terminais e de disponibilidade de mão de obra, como resultado da pandemia da Covid-19, preocupa a China.

Acordo comercial

Outro alerta para o agronegócio brasileiro diz respeito aos riscos relacionados aos compromissos assumidos pela China no âmbito do novo acordo comercial com os Estados Unidos. “O mercado chinês de soja continuará demandando o produto do mercado exterior e o Brasil deverá estar atento aos riscos e oportunidades”, declara o pesquisador da Embrapa Mário Seixas. Ele destaca que há previsão do aumento do consumo da soja pelos chineses em 3,3%. Porém, o grão é o ponto focal no comércio agrícola entre EUA e China, devido ao grande volume de comércio.

As exportações brasileiras dessa commodity atingiram 16,3 milhões de toneladas, em abril de 2020, 73% a mais do que no mesmo período de 2019. No entanto, devido ao acordo EUA-China, o país asiático deverá aumentar o volume de importação dos Estados Unidos, fechando 2020 com 90 milhões de toneladas adquiridas dos americanos, 10 por cento a mais do que em 2019.

Sustentabilidade ambiental

O estudo da Embrapa também chama atenção sobre a questão da sustentabilidade ambiental relacionada ao setor de proteína animal, com vistas às exportações do agro brasileiro. Internacionalmente, as preocupações com o meio ambiente, a mudança do clima, a preservação das florestas e a questão da sustentabilidade ambiental estão na agenda global. “Para o agronegócio brasileiro, o tema é altamente relevante e é um alerta importante para o futuro das exportações”, avalia Seixas.

Em 2019, ocorreu um aumento acentuado nas atividades sustentáveis relacionadas à carne bovina, globalmente. A iniciativa da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono-Neutro foi criada para desenvolver a oferta e a demanda por carne bovina produzida em sistemas integrados com florestas que compensam ao final a emissão de gases metano feita pelos animais.

Acesse o estudo completo sobre “China pós-Covid 19: um alerta ao agronegócio brasileiro” no Sistema Agropensa da Embrapa, clicando Aqui.

Com informações da Embrapa. Foto: Ivan Bueno/APPA

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